quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Era uma vez: Hudson Soft e o TurboGrafx-16

 I'm looking for my daughter. She's missing. I convinced myself she'd be here... - Harry Mason

          Alguns jogos nos marcam, não é mesmo? Eu posso dizer, assim como boa parte dos gamers da minha idade, que Bomberman me marcou! Até comprei na Nintendo Store os games antigos da franquia, na qual a grande maioria dos jogos, para o meu espanto, estavam sendo vendidos na categoria do video-game mega desconhecido TurboGrafx-16. Então, comecei a me perguntar: O que aconteceu com a empresa que produzia os jogos? Não conseguiu lançar mais nenhum outro game tão famoso quanto Bomberman? Ainda está ativa atualmente? O que foi este video-game da qual nunca ouvi falar? Afinal, cade as empresas japonesas que eram tão boas?

          Quando era criança, não prestava atenção em quase nenhum nome de empresa que produzia os jogos que eu gostava, mas Hudson Soft era uma das poucas que ficaram na minha cabeça, já que eu achava que o nome da empresa em nada parecia que era de games, muito menos que era uma empresa japonesa!
          Após algumas leituras, descobri que, apesar de a empresa ser mais conhecida por Hudson Soft Company Limited, seu nome formal é Honeybee Soft Company Limited. O nome Hudson foi dado porque os dois criadores da empresa, os irmãos Yuji e Hiroshi Kudo, cresceram admirando trens, assim nomearam a sua empresa em homenagem as locomotivas Hudson.
      Ela foi fundada em 1973, primeiramente como vendedora de produtos personalizados para computadores, mas que depois, em 1978, expandiu-se para uma produtora de games e conteúdo de celular, sendo que ainda contou com lançamento de um video-game.
          A empresa se tornou um dos principais parceiros da Nintendo para criação de jogos para o Famicon (ou NES), além de ser a primeira empresa de terceiros a fazer jogos para este video-game. Um dos primeiros títulos que seria lançado para ele  foi  o Lone Runner, vendendo 1,2 milhões de cópias. Mas foi apenas com a criação do Bomberman, em dezembro de 1983, que a empresa conseguiu fazer seu bestseller dos games.
          

           Em 1987, junto da colaboração da Nippon Eletric Corporation, lança o video-game da empresa, chamado de PC Engine no Japão ((PCエンジン Pī Shī Enjin) e lançado como TurboGrax-16 no ocidente. Apesar do nome parecer que o video-game era de 16 bits, na verdade seu CPU era de 8 bits e seu PPU (Picture Processing Unit - responsável pelos gráficos) era de 16 bits, desta forma, para época, este video-game contava com gráficos fantásticos. Além disso, comparado aos outros consoles da época, ele era bem pequeno, sendo que os cartuchos eram do tamanho de um cartão de crédito (simular depois com as fitas do Sega Master System).
      No Japão, inicialmente (1987-93) o video-game fez muito sucesso e concorreu lado a lado ao NES. Com o lançamento de upgrades,  ainda seria o primeiro video-game a possuir um leitor de CD-ROM, vendido separadamente, mas que dava uma imensa vantagem sobre os concorrentes, já que os jogos em CD eram superiores a qualquer cartucho, uma vez que possuíam gráficos e áudio bem melhores por custos mais baixos.
          Contudo, o TurboGrafx-16 passa a perder importância no Japão com o lançamento do Super Nintendo e Sega Genesis. Há tentativas para ressuscitar o video-game, com o aumento da quantidade de memória RAM e com a conversão de alguns jogos do Neo Geo para o console. Mais games para o console ainda serão produzidos até 1999, apenas neste país.    
           Já nos EUA, o video-game nunca conseguiu fazer tanto sucesso já que a empresa não conseguiu se dar bem, por diversos motivos: a confusão com relação se o video-game era 16 bits ou não; falta de jogos que atraiam a atenção dos americanos, especialmente porque os editores não queriam se arriscar em lançar jogos para este novo console (no Japão era a Konami que suportava o PC Engine, dando mais segurança) e falta de marketing adequado, principalmente nas áreas que não eram metropolitanas.


        Com o lançamento do SuperNes e o Genesis, fica ainda mais difícil competir na era da rivalidade dos mascotes Mario vs. Sonic, mesmo a empresa tendo lançado seu próprio, um homem da caverna cabeçudo chamado de Bonk, aparecendo sempre na própria revista promocional do video game, a PC ENgine Fan Magazine.  Com o insucesso do video-game no EUA, não foram lançadas a maioria dos novos upgrades para o ele, e no Brasil, nem mesmo chega às lojas. Apesar do sucesso no Japão, a empresa nunca mais tenta criar um novo console.
           Com anos de atuação na área, a empresa teve diversos jogos lançados (lista completa aqui), entretanto nunca mais conseguiu emplacar outro sucesso como Bomberman, mesmo com vários outros jogos lançados da mesma franquia, e com  outros de relativo sucesso, como Mario Party e Momotaro Dendetsu (jogo aclamado ela crítica japonesa). Assim, por volta de 2010-2011, muitos funcionários da empresa Hudson, liderados pelo antigo presidente da empresa, formaram um novo estúdio subsidiário da Nintendo, chamado de Nd Cube, que atualmente criou o último jogo da franquia de Mario Party, o 9 para Wii.
          Finalmente, em 1º de março de 2012, a empresa deixa de existir, sendo absorvida pela Konami, porém, ainda  serão feitos produtos e serviços com o nome Hudson, mas obviamente, não serão a mesma coisa já que não existe mais a empresa. Portanto, mais uma boa empresa japonesa acaba por morrer. Mas o que está acontecendo com as empresas japonesas afinal? Parece que a criatividade que tiveram no passado não mais existe... Mas isto seria assunto para outro postagem...



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